sexta-feira, 10 de junho de 2011

João Desidério: o calmo e destemido mensageiro do sertão de Tibagi | HISTÓRIA

No imenso território desconhecido de Tibagi, o carteiro era o mais experiente guia

No início do século passado, o município de Tibagi abrangia uma extensa área territorial que chegava ao norte e centro-oeste do Estado. O território incluía até o município de São Jerônimo da Serra, onde reservas indígenas significavam certo perigo a estranhos desbravadores. Com poucas estradas e acessos vicinais complexos, nada conhecidos, o trabalho de distribuição postal era um grande desafio. João Desidério era este destemido conhecedor das terras tibagianas, praticamente o GPS da época.


Nomeado em 22 de maio de 1922 para cargo de Estafeta Postal de Tibagi e Caetê, hoje município de Curiúva, Desidério conhecia as entranhas não exploradas dessa imensa área. Era revendedor das máquinas de costura da Singer do Brasil e também viajava com os padres Redentoristas em suas peregrinações de evangelização pelo interior. Tornou-se o principal mensageiro e guia obrigatório para quem precisasse viajar pela área desconhecida. “Não havia estradas regulares e naturalmente havia sério risco de as pessoas se perderem se não tivessem um bom condutor”, explica Neri Assunção, diretor do Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior.


Com apenas 1,63 metro, o baixinho João Desidério embrenhava-se mato adentro para conduzir grupos e entregar malas postais. “Era maneiroso com os indígenas e não os temia, mesmo porque já era acostumado a cruzar a região. Desde 1911 exercia cumulativamente o cargo de Oficial de Justiça do Juízo”, assinala Neri.


Na década de 1940, quando se descobriu que a terra vermelha dava o melhor café, todo o Norte do Paraná começou a plantar. Em consequência, abriram-se estradas em todas as direções que levassem até lá. “Embora lamacentas e escorregadias, já mostravam o caminho, de modo que os carros e ônibus passaram a trafegar por elas levando inclusive as malas postais. A partir daí, João Desidério começou a distribuir a correspondência na cidade de Tibagi”, conta o diretor do Museu.
Neri relata que ao final de lindas tardes de verão, com a correspondência toda entregue, Desidério chegava alegre ao armazém de Aguinaldo Guimarães Cunha. “Pedia um bom pedaço de salame, uns dois pães, que vinham sempre graciosamente com uma xícara de café, e começava a contar ao dono do armazém suas peripécias de longas viagens”.


Em mais de 30 anos de serviços prestados ao país como “correio do sertão”, entre Castro, Tibagi e Jataizinho, quando não havia estradas e restaurantes, Desidério prepararava suas refeições durante as viagens. “Conduzia também suas panelas e apetrechos. Com seu uniforme cáqui, quepe e sua mala, levava correspondência e jornais e seguia montado em seu cavalo”.




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